A expressão “cuidados paliativos” geralmente é associada aos cuidados prestados a pacientes em estado terminal. O Dr. Yuri Silva Portela, com sua pós-graduação em geriatria, observa que, embora essa associação seja bastante difundida, ela contraria o que a definição médica desse cuidado realmente estabelece. Os cuidados paliativos devem ser iniciados muito antes da fase terminal de uma doença, funcionando como uma abordagem de suporte contínuo, e não apenas como um cuidado de encerramento.
Essa situação gera um receio em muitas famílias, que acabam evitando ou postergando esse tipo de suporte, temendo que buscá-lo signifique desistir do tratamento ou aceitar um prognóstico mais sombrio do que o existente naquele momento específico. Na prática, os cuidados paliativos e o tratamento da doença de base frequentemente são realizados em conjunto, sem que um exclua o outro em qualquer etapa do processo de cuidado.
Ao longo deste artigo, serão abordados o escopo dos cuidados paliativos, a necessidade de seu oferecimento em estágios iniciais da doença e a sua conexão direta com a qualidade de vida do paciente e de seus familiares.
Cuidados paliativos não são sinônimo de fim de tratamento, mas sim de qualidade de vida
De acordo com a definição médica, os cuidados paliativos têm como objetivo a prevenção e o alívio do sofrimento físico, emocional e social em pacientes com doenças que ameaçam a continuidade da vida, independentemente do estágio da condição no momento da avaliação. O Dr. Yuri Silva Portela salienta que essa abordagem deve ser implementada imediatamente após o diagnóstico de uma condição grave, atuando em paralelo ao tratamento da doença de base, sem nunca substituí-lo.

Pacientes com insuficiência cardíaca avançada, doenças neurológicas degenerativas ou outras condições crônicas graves também se beneficiam dessa abordagem em diferentes momentos da evolução da doença, não apenas em casos oncológicos ou em fases terminais, segundo a família ou a própria equipe médica responsável pelo acompanhamento.
Controle de dor, náusea e fadiga: ingredientes essenciais para o bem-estar do paciente
O controle de sintomas, como dor, náusea e fadiga, o suporte emocional tanto para o paciente quanto para os familiares envolvidos e a comunicação clara sobre expectativas e possibilidades de tratamento compõem o núcleo central dessa abordagem integral. O doutor Yuri Silva Portela considera a participação ativa da família nas decisões de cuidado como um elemento fundamental, sempre que possível. Esse componente, juntamente com o controle direto dos sintomas físicos apresentados ao longo do tratamento, é igualmente crucial para o bem-estar e a qualidade de vida do paciente.
Ferramentas como o planejamento antecipado de cuidados permitem que os pacientes expressem suas preferências enquanto ainda têm plena capacidade de decisão, reduzindo assim as incertezas para suas famílias em ocasiões mais delicadas e desafiadoras.
A importância da confiança entre equipe médica, paciente e família nos cuidados paliativos
Os cuidados paliativos são entendidos como um conjunto de intervenções que visa proporcionar bem-estar e qualidade de vida ao paciente. Por meio de uma abordagem holística, os profissionais envolvidos consideram aspectos físicos, psicológicos, sociais e espirituais, incluindo a dor, o contexto familiar e os valores pessoais do paciente. O doutor Yuri Silva Portela reforça que essa humanização do cuidado fortalece a relação entre a equipe médica, o paciente e a família, justamente nos momentos em que essa relação mais importa e mais precisa de confiança mútua.
Os cuidados paliativos em idosos não devem ser estigmatizados como uma medida exclusiva para os estágios terminais da vida. Em síntese, compreender essa abordagem como cuidado integral, voltado à qualidade de vida em qualquer estágio de uma doença grave, é o que permite que pacientes e famílias busquem esse suporte no momento adequado, sem receio, culpa ou desinformação sobre seu real significado.



