Ao observar as práticas dos pescadores de rios, represas e pesqueiros, Joel Alves destaca uma contradição: a pesca, embora usada para concentrar peixes em um ponto, pode, em excesso, afastá-los, saciá-los antes da isca e até comprometer a qualidade da água. A técnica, que consiste em lançar alimento para atrair cardumes, é bastante eficaz quando devidamente dosada. No entanto, sua eficiência é reduzida quando o pescador tenta compensar a falta de mordidas aumentando a quantidade de isca.
Milho, ração, farelos e massas são itens fundamentais na dieta de pescadores que se dedicam à pesca de espécies como pacu, tambaqui, tilápia, carpa e piau. Entender como a ceva age sobre os peixes e quais são seus limites ajuda a usá-la como ferramenta, e não como aposta.
O papel da ceva na aproximação dos peixes ao ponto de pesca
As cevas, por sua vez, são realizadas principalmente pelo olfato e paladar. O alimento se dissolve na água, liberando partículas que formam uma trilha para os peixes seguirem até a origem. As partículas, sejam grãos ou pelotas, que apresentam menor densidade, criam um ponto de alimentação no fundo da água, enquanto as rações flutuantes atraem os peixes para a superfície.
O tipo de cava deve combinar com a espécie e o ambiente. Peixes onívoros e de hábito de fundo respondem a milho e farelos; outros, a frutas. A caça deve ser lançada acima do ponto de pesca. Em reservatórios de água parada, a caça tende a se aglomerar em manchas. Nesses casos, posicione a isca próxima a essas áreas. Após uma análise comparativa dos dois ambientes, Joel Alves destaca que o equívoco mais frequente é cevar em um ponto e pescar em outro, sem levar em consideração para onde a água efetivamente leva o alimento.
A regularidade é importante, e pequenas porções lançadas com frequência mantêm os peixes interessados, enquanto uma grande carga lançada de uma só vez tende a alimentá-los rapidamente. Essa relação fundamenta um princípio que Joel Alves considera fundamental para a aplicação da técnica: a cena deve estimular o apetite, não satisfazê-lo.

Ceva mal dosada e os efeitos sobre a atividade alimentar dos peixes
O efeito imediato do excesso é a sensação de saciedade. Com alimento abundante no fundo, o peixe tem pouco motivo para escolher justamente o grão ou a massa presa ao anzol. A pescaria, que inicialmente apresentava resultados promissores, vai perdendo a intensidade, e muitos pescadores reagem excedendo o esforço, aprofundando o problema em vez de corrigi-lo com uma pausa estratégica ou a troca de isca.
O alimento não consumido se decompõe no fundo, consumindo oxigênio e liberando nutrientes que favorecem a proliferação de algas. Em lagos de pequeno porte, represas com baixa capacidade de renovação de água e pesqueiros, o uso excessivo e contínuo da pesca pode contribuir para a eutrofização e para episódios de baixa oxigenação. Esses episódios deixam os peixes apáticos e, em casos extremos, causam mortandade.
Diante do exposto, ao avaliar os impactos mencionados, Joel Alves conclui que a pesca altera o comportamento dos peixes ao longo do tempo, visto que cardumes acostumados a receber alimento em pontos fixos passam a depender dessa oferta e a se concentrar de modo artificial. Por conseguinte, alguns pesqueiros e reservatórios estabelecem regulamentos próprios para o uso de caiaque. A consulta prévia dessas normas é imprescindível para evitar conflitos e penalidades.
Uma questão de dose
A capacidade não se caracteriza como positiva ou negativa em sua essência. A eficácia da técnica depende da quantidade, da frequência, do tipo de alimento e do ambiente em que é utilizada. A mesma técnica empregada para concentrar um cardume em um rio com boa correnteza pode degradar a água de um lago fechado.
O conceito fundamental de Joel Alves de despertar o apetite sem saciá-lo, ilustra com precisão a aplicação equilibrada da técnica. Pesquisas indicam que os praticantes que consideram o comportamento da espécie e a capacidade do ambiente de absorver o alimento tendem a pescar mais no próprio dia e a encontrar o ponto em boas condições nas visitas posteriores.



