Desde 1º de janeiro de 2026, a fiscalização da Resolução 996 do Contran passou a separar com rigor as categorias de veículos elétricos leves, e o empresário Fredy da Silva Gonçalves Bento, CEO da Litoral Mobilidade, avalia essa mudança como um divisor de águas para quem pretende expandir o setor por franquias. A norma deixou claro que nem todo modelo de duas rodas pode circular sem placa e sem habilitação.
Na prática, o consumidor passou a depender de orientação técnica no momento da compra. Uma franquia de mobilidade elétrica que replica apenas a fachada, o layout e o catálogo da marca tende a crescer depressa e a perder clientes na mesma velocidade. O que sustenta uma rede é aquilo que acontece depois que o veículo sai da loja.
O que a regra do Contran mudou no balcão
Um ciclomotor elétrico com até 4.000 W de potência e velocidade máxima de 50 km/h exige emplacamento e habilitação na categoria A ou ACC. Já os autopropelidos, grupo que inclui bicicletas elétricas e patinetes, ficam limitados a 1.000 W e 32 km/h e dispensam placa. Para quem vende, essa fronteira tem consequência direta: indicar o modelo errado pode resultar em multa e retenção do veículo.
Por isso, quem atende numa loja de motos elétricas e scooters elétricas deixou de ser apenas vendedor. Fredy da Silva Gonçalves Bento frisa que é essencial dominar potência, velocidade, vias permitidas e documentação de cada produto. Em uma rede de franquias, esse conhecimento não pode depender do talento de cada unidade. Ele precisa estar escrito em processo, treinamento e material de apoio, porque um erro numa loja compromete a reputação de todas as outras.
Por que a assistência técnica pesa mais que a vitrine
Baterias, controladores e motores elétricos exigem diagnóstico específico, peças compatíveis e mão de obra treinada. Diferentemente de uma bicicleta convencional, o defeito costuma estar em sistemas eletrônicos que não se resolvem com ferramenta comum nem com peça genérica de outro fabricante. Quando a manutenção falha, o veículo fica parado, e o cliente associa o problema à marca inteira, não a um endereço isolado.
Esse é o ponto em que a experiência de varejo se converte em modelo de negócio. Fredy Restrito, como também é conhecido, considera que a assistência técnica e a estrutura de pós-venda são o que diferencia uma operação profissional de uma simples revenda de importados. Uma unidade franqueada que vende bem e não consegue consertar transforma cada venda em um passivo futuro.
Importação e distribuição como base da rede
A maior parte dos componentes de veículos elétricos leves vem da China, e negociar diretamente com fabricantes estrangeiros exige volume, conhecimento técnico e capital de giro que um lojista isolado raramente tem. Fredy da Silva Gonçalves Bento, nesse contexto, frisa que numa franquia bem estruturada, essa complexidade fica concentrada na franqueadora.
A Litoral Mobilidade opera com centro de distribuição próprio de mais de 2.000 m², estoque de aproximadamente R$ 8 milhões e mais de 40 colaboradores, comercializando centenas de veículos elétricos por mês no litoral paulista. Essa estrutura responde a uma pergunta que todo candidato a franqueado deveria fazer antes de assinar contrato: quando faltar uma peça, de onde ela virá e em quanto tempo?
O que separa uma rede regional de uma marca nacional
Abrir lojas é a parte visível da expansão. Transformar o que funciona em uma praça em método replicável em outras cidades é o trabalho que define se uma marca regional ganha projeção nacional. Padronizar atendimento, garantir peças e formar técnicos são tarefas menos fotogênicas do que inaugurar uma unidade, mas determinam quanto tempo ela sobrevive.
A trajetória de Fredy da Silva Gonçalves Bento, iniciada no comércio de roupas por volta do ano 2000 e construída ao longo de mais de duas décadas em varejo, eventos e gastronomia, mostra que a expansão sólida raramente nasce do produto da moda. Ela nasce da estrutura montada para atender o cliente no dia seguinte à compra.



